Apresentamos um pequeno trecho das Teses do Comitê Central do KKE (Partido Comunista da Grécia) dirigidas ao seu 22º Congreso, que será realizado de 29 a 31 de janeiro de 2026.
Introdução
Acolhemos o 22º Congresso do KKE com responsabilidade, orgulho e um otimismo combativo e realista pela justa causa da nossa luta, apresentando o nosso Programa por uma vida sem exploração ou guerras imperialistas, com dignidade e bem-estar social, como convém às necessidades atuais da classe trabalhadora, das outras forças populares e da juventude, como convém ao século XXI.
Há um ano, quando entrávamos na reta final rumo ao 22º Congresso, o Comitê Central do KKE submeteu prontamente resoluções para debate em todo o Partido, abordando os desdobramentos nas frentes da guerra imperialista e nossas tarefas, o curso da construção do Partido e do KNE (Juventude Comunista), o trabalho ideológico e político do Partido, o rumo do Rizospastis (revista do KKE) e as conclusões de nossas ações no âmbito do movimento operário e sindical e das lutas de nosso povo. Essas resoluções do Comitê Central foram essenciais para a preparação, para uma assimilação mais profunda das avaliações e conclusões críticas, a fim de melhor compreender as condições em que atuamos e cumprir o propósito da existência do Partido: como vanguarda ideológica e política, guiando a classe trabalhadora no cumprimento de sua missão histórica — a libertação da classe trabalhadora das correntes da exploração capitalista e a construção da nova sociedade socialista-comunista.
As teses publicadas do 22º Congresso destacam aspectos essenciais e incorporam o rico debate que o precedeu em diversas assembleias gerais das organizações de base do Partido na Grécia e no exterior. Através do debate pré-Congresso e dos trabalhos do próprio Congresso, esperamos que o nosso Partido dê mais um passo significativo e decisivo no desenvolvimento das suas características revolucionárias contemporâneas.
O tema central do 22º Congresso é o PARTIDO. O Partido, cujo funcionamento e estado de suas forças devem estar plena e rapidamente alinhados com seu programa e estatutos revolucionários, para que se torne verdadeiramente um "Partido que atua em todas as circunstâncias", um "Partido pronto para tudo", não como um slogan ou um objetivo geral, mas como um objetivo refletido em suas ações e contribuições diárias, despertando a consciência da classe trabalhadora e do povo, e liderando a luta do nosso povo pelo socialismo. A capacidade e a prontidão do nosso Partido estão relacionadas não apenas à sua preparação estratégica e programática, mas também à sua ação política e organizacional nas condições atuais, em uma unidade indissolúvel.
A avaliação geral do rumo do Partido e da contribuição de seus órgãos dirigentes, quadros e membros para ele se baseia na correspondência entre o trabalho de nossa liderança e o caráter revolucionário que o Partido alcançou em relação ao seu Programa e Estatutos. Esta é uma questão que deve ser constantemente reafirmada em cada Congresso, enriquecida pelos desdobramentos e pela generalização da luta de classes. Os inegáveis avanços em muitas áreas de nossa atividade não devem obscurecer as fragilidades, deficiências e falhas que nos impedem de alcançar o objetivo do pleno alinhamento do Partido com nosso Programa revolucionário.
A questão que se coloca, e na qual devemos nos concentrar constantemente, é como alcançar o caráter de vanguarda revolucionária do Partido na prática e em seu funcionamento. Concentramo-nos no funcionamento das organizações de base do Partido porque é nesse nível que todas as fragilidades da liderança se manifestam. A preparação, a capacidade, a vontade e o trabalho abnegado de cada militante comunista, onde quer que estejam e em todas as circunstâncias, destacam-se como elementos gerais, obrigatórios e comuns. Devem distinguir-se como líderes populares em suas esferas, deixar sua marca em todos os lugares e estar preparados para enfrentar qualquer dificuldade.
Portanto, é necessária uma melhor organização do trabalho diário do Partido; devemos agir junto às centenas de milhares de operários, camponeses pobres e trabalhadores urbanos autônomos que sofrem sob o sistema capitalista os estragos da guerra, da exploração, da tributação e tantos outros problemas, dos quais não se libertarão sem a derrubada da classe burguesa e a construção do poder operário. Isso deve ser explicado às grandes massas, aos milhões de pessoas, de forma concreta, simples e compreensível. Devemos falar e explicar as características da sociedade socialista que planejamos e aspiramos construir, em termos de agitação e preparação, a partir de hoje. Devemos preparar as forças operárias, a vanguarda e as forças populares aliadas para adquirirem experiência nos duros conflitos da luta de classes.
O KKE atua na Grécia, na Europa e em toda a região, em condições muito difíceis, com um equilíbrio de poder geralmente negativo, na luta pela derrubada definitiva do capitalismo e pela construção do socialismo-comunismo, que é o único sistema capaz de pôr fim às guerras imperialistas, à pobreza, à exploração, às ondas de refugiados e à opressão.
A posição do Movimento Comunista Internacional sobre as guerras imperialistas
A guerra imperialista na Ucrânia provocou novas divisões ideológicas e políticas e aprofundou as já existentes. Os partidos comunistas, que antes identificavam o imperialismo exclusivamente com a política externa agressiva dos EUA e de alguns poderosos Estados capitalistas da Europa, e romantizavam o papel de outros Estados capitalistas, agora veem a Rússia, a China e o Irã como supostas “potências anti-imperialistas” ou mesmo como um imaginário “eixo anti-imperialista”.
Essas forças, de maneira arbitrária e anticientífica, desconsideram as contradições interimperialistas e as rivalidades correspondentes, que constituem a causa fundamental das guerras imperialistas, e acreditam que, mais cedo ou mais tarde, um mundo “justo”, “pacífico” e “multipolar” está se formando, e algumas delas apoiam a China, a Rússia ou a União Europeia, considerando essas potências como “novos polos” e um “contrapeso” aos EUA, identificando as aspirações das classes burguesas desses Estados ou uniões com os interesses da classe trabalhadora e das camadas populares de seus países.
Duas questões de grande importância devem ser destacadas:
a) O caráter da China: Os partidos comunistas que não enxergam seu caráter capitalista – devido ao grande setor estatal de sua economia e ao título do partido governante – consideram a rivalidade entre a China e os EUA pela liderança no sistema capitalista mundial como uma luta entre “socialismo e capitalismo”.
b) Os partidos cuja estratégia se baseia na lógica das etapas do processo revolucionário, que consideram a intervenção de uma suposta etapa pró-povo anterior ao socialismo e que tratam o fascismo como um “desvio da democracia burguesa” em vez de um produto do capitalismo, são propensos à retórica “antifascista”. Essa retórica se traduz em conceitos como “frentes antifascistas” e “guerra antifascista”, que as forças e governos burgueses exploram para promover seus objetivos antipopulares, suas alianças políticas e até mesmo suas operações militares. A manutenção dessa estratégia baseada em etapas leva esses partidos a considerarem erroneamente diversos governos burgueses – de orientação social-democrata – como “anti-imperialistas e progressistas”.
*Teses na íntegra em: https://inter.kke.gr/en/m-article/Theses-of-the-Central-Committee/
