09 março 2026

Etapismo e neodesenvolvimentismo

Duas faces da mesma moeda podre


Está em voga a vertente oportunista de esquerda que ressuscita e combina duas velhas conhecidas da história da colaboração de classes: etapismo e neodesenvolvimentismo. Utilizando-se de uma fraseologia radical, o oportunismo busca disfarçar o conteúdo pequeno-burguês das suas proposições.  Sua principal inspiração para o resgate desse ideário tem relação com a potência em ascensão no sistema imperialista, a China, liderada por um partido que ainda conserva o nome de comunista.

No Brasil a receita poderia ser resumida dessa forma: maior presença do Estado no planejamento e em setores chaves da economia, incremento dos investimentos em ciência, tecnologia e indústria, fatores que, segundo esse receituário, proporcionariam condições para um novo ciclo de desenvolvimento das forças produtivas do país. Logicamente o programa neodesenvolvimentista só poderia ser levado a cabo com a participação da burguesia e a colaboração das classes exploradas.

Isso implicaria necessariamente em uma etapa do que esses farsantes chamam de "revolução brasileira", uma etapa nos marcos do capitalismo. Essa etapa, segundo dizem, necessária para o desenvolvimento das forças produtivas no contexto de uma economia atrasada, dependente, seria o máximo que a correlação de forças desfavorável aos trabalhadores permitiria. Retornam, nesse aspecto, portanto, às elaborações etapistas e colaboracionistas do movimento comunista internacional consagradas, em 1935, pelas tese frente populista de Georgi Dimitrov no 7º congresso da Terceira Internacional Comunista(IC) e vigentes por várias décadas após a dissolução da IC em 1943.

Não foram suficientes as capitulações e derrotas do movimento operário enquanto perdurou essa tese colaboracionista batizada de "frente popular", nem que processos revolucionários no período imediato do pós Segunda Guerra, como os ocorridos na Grécia, Itália, França, por exemplo, fossem enterrados pela aplicação obediente dos PC"s das orientações emanadas por Moscou. Para esses sacripantas, mascarados de "revolucionários radicais", basta revestir o velho projeto frente populista, desmoralizado e derrotado na história da luta de classes, com uma roupagem esquerdista, para que ele seja novamente palatável.

Entre outros enganos, imaginam transplantar para o nosso capitalismo periférico e dependente o modelo chinês, que, por sua vez, foi resultado da restauração capitalista naquele país, ocorrida após a derrota do regime de transição ao socialismo instaurado com a grande Revolução chinesa de 1949. Portanto, em condições muito específicas e totalmente distintas das brasileiras. O que permitiu, em poucas décadas, um acelerado desenvolvimento da China enquanto potência capitalista emergente que disputa a hegemonia no sistema imperialista mundial com os EUA.

Essa nova vertente oportunista/revisionista, a despeito dos arroubos discursivos típicos da pequena-burguesia, não terá qualquer escrúpulo em se juntar com facções burguesas nas eleições ou no exercício do governo, assim como, em se colocar no campo de um dos lados da disputa interimperialista em curso no mundo. 

 


24 janeiro 2026

Saudamos o 22º Congresso do KKE*


Apresentamos um pequeno trecho das Teses do Comitê Central do KKE (Partido Comunista da Grécia) dirigidas ao seu 22º Congreso, que será realizado de 29 a 31 de janeiro de 2026.

Introdução                                                                                                   

Acolhemos o 22º Congresso do KKE com responsabilidade, orgulho e um otimismo combativo e realista pela justa causa da nossa luta, apresentando o nosso Programa por uma vida sem exploração ou guerras imperialistas, com dignidade e bem-estar social, como convém às necessidades atuais da classe trabalhadora, das outras forças populares e da juventude, como convém ao século XXI.

Há um ano, quando entrávamos na reta final rumo ao 22º Congresso, o Comitê Central do KKE submeteu prontamente resoluções para debate em todo o Partido, abordando os desdobramentos nas frentes da guerra imperialista e nossas tarefas, o curso da construção do Partido e do KNE (Juventude Comunista), o trabalho ideológico e político do Partido, o rumo do Rizospastis (revista do KKE) e as conclusões de nossas ações no âmbito do movimento operário e sindical e das lutas de nosso povo. Essas resoluções do Comitê Central foram essenciais para a preparação, para uma assimilação mais profunda das avaliações e conclusões críticas, a fim de melhor compreender as condições em que atuamos e cumprir o propósito da existência do Partido: como vanguarda ideológica e política, guiando a classe trabalhadora no cumprimento de sua missão histórica — a libertação da classe trabalhadora das correntes da exploração capitalista e a construção da nova sociedade socialista-comunista.

As teses publicadas do 22º Congresso destacam aspectos essenciais e incorporam o rico debate que o precedeu em diversas assembleias gerais das organizações de base do Partido na Grécia e no exterior. Através do debate pré-Congresso e dos trabalhos do próprio Congresso, esperamos que o nosso Partido dê mais um passo significativo e decisivo no desenvolvimento das suas características revolucionárias contemporâneas.

O tema central do 22º Congresso é o PARTIDO. O Partido, cujo funcionamento e estado de suas forças devem estar plena e rapidamente alinhados com seu programa e estatutos revolucionários, para que se torne verdadeiramente um "Partido que atua em todas as circunstâncias", um "Partido pronto para tudo", não como um slogan ou um objetivo geral, mas como um objetivo refletido em suas ações e contribuições diárias, despertando a consciência da classe trabalhadora e do povo, e liderando a luta do nosso povo pelo socialismo. A capacidade e a prontidão do nosso Partido estão relacionadas não apenas à sua preparação estratégica e programática, mas também à sua ação política e organizacional nas condições atuais, em uma unidade indissolúvel.

09 janeiro 2026

A CONJUNTURA INTERNACIONAL E NACIONAL E AS PERSPECTIVAS NA LUTA PELO SOCIALISMO!




A CONJUNTURA INTERNACIONAL E NACIONAL E AS PERSPECTIVAS NA LUTA PELO SOCIALISMO!

1 – O Encontro Comunista, cujos objetivos e princípios constam de documento anexo, dirige-se às forças políticas e militantes revolucionários, neste início de ano, no sentido de apresentar seu balanço da atual conjuntura internacional e nacional e as perspectivas em relação ao complexo ano que se inicia.

2 – A crise mundial do capitalismo continua sua trajetória iniciada por volta de 2008, dando sinais que tendem ao agravamento das contradições desse sistema, como o baixo patamar de taxa de lucro, a desaceleração da economia e o endividamento global. Uma das consequências mais dramáticas desse contexto geral de crise é o aumento da mais-valia, pelo fato do capital se empenhar cada vez mais na retirada de direitos e conquistas e no rebaixamento salarial, com a correspondente deterioração das condições de vida do proletariado.   

3 – Essa ofensiva é facilitada, na maioria dos países, pela decadência e degeneração política e ideológica dos partidos que se proclamam comunistas, o que se reflete no movimento sindical e popular. O reformismo e o revisionismo já são hegemônicos no Movimento Comunista Internacional, o que nos leva a contribuir, dentro de nossas possibilidades e com autonomia, para a reconstrução e o fortalecimento do campo revolucionário que resiste em seu interior. 

4 – Para garantir o êxito desta ofensiva, as burguesias nacionais tiram do seu armário suas armas mais eficientes para enfrentar a crise de acumulação do capital. Uma delas é o recurso a governos de extrema direita com características do fascismo, a criatura mais agressiva do capitalismo, que só será uma lembrança histórica quando seu criador for esmagado pelo proletariado.

5 – Entretanto, para se impor dominante nos dias de hoje, a ditadura do capital em muitos casos não precisa recorrer a golpes de estado, armados ou não, nem implantar assumidamente um regime fascista. A democracia burguesa tem sido o melhor instrumento para o exercício pleno de sua hegemonia, inclusive pela submissão dos governos de conciliação de classes, sempre favoráveis ao capital.