Duas faces da mesma moeda podre
Está em voga a vertente oportunista de esquerda que ressuscita e combina duas velhas conhecidas da história da colaboração de classes: etapismo e neodesenvolvimentismo. Utilizando-se de uma fraseologia radical, o oportunismo busca disfarçar o conteúdo pequeno-burguês das suas proposições. Sua principal inspiração para o resgate desse ideário tem relação com a potência em ascensão no sistema imperialista, a China, liderada por um partido que ainda conserva o nome de comunista.
No Brasil a receita poderia ser resumida dessa forma: maior presença do Estado no planejamento e em setores chaves da economia, incremento dos investimentos em ciência, tecnologia e indústria, fatores que, segundo esse receituário, proporcionariam condições para um novo ciclo de desenvolvimento das forças produtivas do país. Logicamente o programa neodesenvolvimentista só poderia ser levado a cabo com a participação da burguesia e a colaboração das classes exploradas.
Isso implicaria necessariamente em uma etapa do que esses farsantes chamam de "revolução brasileira", uma etapa nos marcos do capitalismo. Essa etapa, segundo dizem, necessária para o desenvolvimento das forças produtivas no contexto de uma economia atrasada, dependente, seria o máximo que a correlação de forças desfavorável aos trabalhadores permitiria. Retornam, nesse aspecto, portanto, às elaborações etapistas e colaboracionistas do movimento comunista internacional consagradas, em 1935, pelas tese frente populista de Georgi Dimitrov no 7º congresso da Terceira Internacional Comunista(IC) e vigentes por várias décadas após a dissolução da IC em 1943.
Não foram suficientes as capitulações e derrotas do movimento operário enquanto perdurou essa tese colaboracionista batizada de "frente popular", nem que processos revolucionários no período imediato do pós Segunda Guerra, como os ocorridos na Grécia, Itália, França, por exemplo, fossem enterrados pela aplicação obediente dos PC"s das orientações emanadas por Moscou. Para esses sacripantas, mascarados de "revolucionários radicais", basta revestir o velho projeto frente populista, desmoralizado e derrotado na história da luta de classes, com uma roupagem esquerdista, para que ele seja novamente palatável.
Entre outros enganos, imaginam transplantar para o nosso capitalismo periférico e dependente o modelo chinês, que, por sua vez, foi resultado da restauração capitalista naquele país, ocorrida após a derrota do regime de transição ao socialismo instaurado com a grande Revolução chinesa de 1949. Portanto, em condições muito específicas e totalmente distintas das brasileiras. O que permitiu, em poucas décadas, um acelerado desenvolvimento da China enquanto potência capitalista emergente que disputa a hegemonia no sistema imperialista mundial com os EUA.
Essa nova vertente oportunista/revisionista, a despeito dos arroubos discursivos típicos da pequena-burguesia, não terá qualquer escrúpulo em se juntar com facções burguesas nas eleições ou no exercício do governo, assim como, em se colocar no campo de um dos lados da disputa interimperialista em curso no mundo.

